Atitudes mentais: a chave das portas do céu e do inferno

Todos temos um conceito sobre céu e inferno, especialmente para quem segue uma religião. No entanto, uma definição mais ampla afirma que nossa atitude mental é responsável por nos conduzir a esses “lugares” de puro êxtase ou de total agonia. A boa notícia é que a escolha é só nossa. A má notícia é que não sabemos escolher.

Independente de conceitos religiosos, todos nós temos uma definição pessoal sobre céu e inferno. As mais comuns estão relacionadas com um local para onde as pessoas são encaminhadas após a morte física, de acordo com suas obras em vida e, naturalmente, com suas crenças.

Uma definição mais ampla, no entanto, está na ideia de que cada um de nós tem o poder de criar estes lugares de puro êxtase ou de extrema agonia. Estar no céu ou no inferno é uma simples questão de escolha, independente das circunstâncias em que se vive. O caminho que seguimos é definido de acordo com nossas atitudes mentais.

Realidade física versus realidade mental

Certa vez, em uma das (muitas) escolas filosóficas que frequentei, ouvi uma história que me ajudou a compreender o mecanismo da mente em relação às percepções exteriores. Já devo ter mencionado essa parábola em outra ocasião, mas não custa nada repetir.

Um velhinho estava sentado no topo de uma colina, apreciando a movimentação de um pequeno vilarejo. Em dado momento, encosta um viajante e lhe pergunta:

– Bom dia, senhor. Esse vilarejo é um bom local para descansar?

– O que lhe parece?  – perguntou o ancião.

O viajante desviou os olhos em direção ao vilarejo e após uma breve análise, respondeu.

– Bom, pelo que posso ver daqui, parece ser um local onde as pessoas são hospitaleiras e gentis, as ruas são limpas e organizadas, o clima é agradável e as acomodações confortáveis.

– É exatamente assim que é! – respondeu o ancião, devolvendo o sorriso.

Pouco depois, chegou um outro viajante e fez o mesmo questionamento. E o ancião rebateu com a mesma pergunta.

Após contemplar o local por alguns minutos, o homem respondeu.

– Pelo que estou vendo, parece ser um local onde as pessoas são grosseiras, as ruas são sujas e mal sinalizadas, o calor é sufocante e as acomodações são precárias.

– É exatamente assim que é! – respondeu o velhinho, franzindo o cenho.

Você deve se perguntar porque o ancião agiu de tal forma? Ele estava tirando sarro com os forasteiros ou simplesmente se encontrava em um estado avançado de caduquice? Nenhuma das respostas. Ele falou a verdade nas duas ocasiões.

Trata-se de uma metáfora para entendermos como as pessoas interpretam as mesmas circunstâncias de formas absolutamente distintas e que tanto o céu quanto o inferno, podem ocupar o mesmo lugar no tempo e espaço, contrariando as leis da física.

O que é bom para você, pode não ser para os outros…e vice-versa.

Tranquilidade, ouvir música suave, ler um livro ao cair da tarde, saborear um delicioso chá de maçã, dormir cedo e acordar com o raiar do sol para se exercitar. Desfrutar de tais atividades pode ser um paraíso para muita gente, mas uma tortura chinesa para quem aprecia uma vida mais agitada. Tudo é uma questão de perspectiva.

Imagine um local onde há gritos estridentes, choros contínuos, cheiro ruim, medo, aflição, noites mal dormidas, preocupações constantes, falta de tempo para se dedicar ao trabalho ou ao lazer. Imaginou? Um tapete na entrada com a inscrição bem-vindo ao inferno seria adequado?

Mas espere um pouco!

Por acaso, o mesmo cenário poderia ser descrito por um casal que tenha um bebê em casa? E seria errado afirmar que a maioria dos pais – especialmente àqueles que planejaram o nascimento dos filhos – considere essas mesmas situações como insignificantes, mediante a alegria que a criança trouxe a eles?

Quem tal agora um tapete com a saudação bem-vindo ao paraíso?

Como é possível que o mesmo local ou circunstância possa ser considerado maravilhoso para uns e terrível para outros? E como seria um céu físico que agradasse gregos e troianos ou um inferno que aterrorizasse a todos? Depende de como se encaram os fatos.

O inferno é aqui…e o céu também pode ser

Todos somos vulneráveis aos fatos cotidianos que nos desagradam, deprimem, aborrecem ou enfurecem. São situações que minam nossa vontade de viver e enfraquecem nossa esperança e alegria. Os sentimentos mais constantes são tristeza, raiva ou rancor.

Se forem episódios temporários, é mais fácil suportar. Por exemplo, um engarrafamento quilométrico. Mas se o sujeito está enterrado até o nariz em alguma condição que provoca sentimentos danosos e destrutivos continuamente, então pode estar vivendo o que se convencionou a chamar de inferno astral. É o pranto e ranger de dentes mencionados nas Sagradas Escrituras.

Temos a tendência de encarar tais experiências como algo penoso. Não queremos sofrer. Queremos nos afastar de tudo que nos aborreça, entristeça ou enfureça. Mas nem sempre é possível, certo? Quando nos deparamos com o inevitável, podemos seguir o conselho de Bob Dylan e bater na porta do céu*. Mas onde fica essa porta?

*referência à canção Knockin´ on Heaven Door

Refugie-se em sua mente

Uma das cenas do maravilhoso filme Efeito Borboleta, mostra o personagem Evan Treborn (Ashton Kutcher) na prisão, após ter cometido um crime nas diferentes realidades que experimentou. Na cela, ciente de que será “visitado” pela poderosa irmandade ariana, recebe um sábio conselho de um detento experiente:

– Olhe cara. Quando vierem pegar você, refugie-se dentro da sua mente. Esteja em outro lugar.

Fazendo um comparativo extremista, vivemos presos em vários aspectos. Paradoxalmente, existem presidiários que são mais livres do que a maioria de nós, apesar de viverem num ambiente infernal. Muitos aprenderam a se refugiar na mente e viver em outra realidade, para enfrentar as condições degradantes nas quais são submetidos.

Só para citar um exemplo clássico, essa poderosa técnica salvou muitos prisioneiros dos campos de concentração nazistas, na segunda guerra mundial.

Felizmente, não estamos no cárcere de um penitenciária, mas somos aprisionados por conceitos mentais que têm o poder de potencializar situações difíceis. Entretanto, podemos mudar qualquer realidade, adotando novas atitudes que nos permitam estar em outro lugar ou, melhor dizendo, enxergar com outros olhos.

Como se faz isso? De muitas formas. Eis algumas comprovadamente eficientes:

  • Exercite a gratidão (isso é fundamental).
  • Procure descobrir o lado positivo das situações que lhe aborrecem.
  • Imagine o quanto poderia ser pior (isso ajuda muito a aliviar a tensão).
  • Pratique atividades prazerosas (hobbies, esportes).
  • Acredite que tudo vai melhorar (a fé não tem, necessariamente, relação com religião, mas se você tiver uma, tanto melhor).
  • Pratique a solidariedade.
  • Tenha a certeza de que tudo na vida é passageiro (isso não é um devaneio! É pura realidade)
  • Alimente sua mente com mensagens positivas encontradas em filmes, livros, textos, frases, conversas, palestras, sermões, etc.

Conforme se exercita essa técnica, o inferno insuportável vai se transformando em um mar sereno, repleto de sabedoria. Isso não quer dizer, no entanto, que devemos nos conformar com uma situação ruim. Podemos e devemos buscar melhorias. A diferença é que os obstáculos que encontrarmos no caminho serão removidos com muito mais facilidade.

Conclusão

Um trecho da canção Sobre as pernas, gravada pela saudosa banda independente Akira S e as Garotas que Erraram, diz o seguinte: O inferno tem mil entradas, algumas são bem conhecidas, outras são mais disfarçadas.

Existem muitas formas de encararmos os nossos fatos cotidianos. Algumas nos fortalecem e nos permitem cultivar o discernimento necessário para seguir em frente. Outras nos roubam energia, nos enfraquecem, tiram a possibilidade de encontrarmos as soluções.

O céu e o inferno são pessoais e intransferíveis. Nos acompanham para onde formos. Para facilitar nossa caminhada, é importante saber que além das mil entradas infernais mencionadas na canção, existem outras mil (ou mais) entradas celestiais à disposição. A escolha sempre será nossa, consciente ou inconscientemente.

Faz sentido para você?  Se sim, deixe seu comentário e compartilhe com seus amigos. Se não, deixe sua crítica e compartilhe para seus amigos também dar uma “malhada” no texto. Fonte: Administradores.com

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