Empreender: com ética ou sem ética?

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por Jerônimo Mendes

O desafio de empreender também passa pelo desafio da ética. Lembrar-se dos direitos e não lembrar-se dos deveres é uma opção difícil de reverter. Um futuro glorioso depende dessa opção inequívoca por fazer o que é certo.

O diretor executivo de uma grande companhia por onde passei dizia que a ética é o freio da ambição. Pensando nisso, ética não é um conceito facilmente aplicável nas empresas até mesmo porque o capital não consegue se multiplicar na velocidade que precisa se adotá-la como bandeira.
Se a ética prevalecesse, a distribuição de renda seria mais equilibrada, as relações desumanas no trabalho teriam outra conotação e os profissionais em geral seriam mais do que um simples número no quadro de empregados.

Apesar de todas as recomendações dos especialistas com as mais variadas teorias sobre o assunto, muitas empresas continuam falhando na condução dos negócios. Tem a ver com jogo da sobrevivência e também com os valores adotados por seus líderes e acionistas.

O capital humano nunca foi páreo para a ambição desmedida do lucro e quando a ambição ultrapassa os limites do razoável, a ética e o respeito aos indivíduos são literalmente atropelados pelo poder. Por isso, é difícil ser você mesmo num mundo que o obriga a ser diferente.

Muito se fala na necessidade de modificar as relações entre capital e trabalho com intuito de proporcionar ambientes mais justos e fraternos, porém o abismo entre o discurso e a prática é imenso.

A sobrecarga de trabalho é um exemplo típico da imposição do poder. A opção pela redução da força de trabalho e a voracidade do capital elevam o custo social, sem pudor e quem paga são os empregados que sacrificam suas vidas em nome do lucro.

Quero lembrar que as empresas são feitas de pessoas e as pessoas erram, porém, numa sociedade extremamente competitiva, o mínimo erro torna-se imperdoável. Erros fazem parte do crescimento embora, no mundo corporativo atual, façam parte do crescimento em outra empresa, raramente onde foi cometido.

Em geral, as relações entre capital e trabalho são absolutamente frias e, por certo, as relações entre “chefes” e colaboradores também. É menos trabalhoso exercer a pressão do que a liderança efetiva para obter resultados.

O mundo foi construído com base nas diferenças étnicas, religiosas e culturais. Por questão de sobrevivência, muitos profissionais se sujeitam a trabalhar em empresas de valores duvidosos, contrários aos seus próprios valores, onde o discurso existe apenas para agradar a sociedade e a ética restringe-se aos manuais da organização.

Infelizmente, não existe emprego ideal, mas existe trabalho ideal, caso contrário, o mundo seria entediante. O que nos move para frente é a certeza de que existem pessoas de bem, apesar da nossa tendência inequívoca de pensar diferente.

Os seres humanos são capazes de coisas incríveis por dinheiro e poder. Na maioria das vezes, a ambição será mais forte do que a ética, motivo pelo qual o esforço para manter a integridade será enorme. Todavia, não se deve perder a esperança nem se descolar das suas raízes. Nenhuma criança foi ensinada a ser má, a fazer a trapaça e a não ser ética.

As relações na vida pessoal e profissional nos desafiam, entretanto, a sociedade está mais atenta. Ainda assim, existem líderes e organizações sensatas que conseguem conciliar os interesses, pois transcendem a ambição e o lucro em nome daquilo que se convém chamar de ética.

O desafio de empreender também passa pelo desafio da ética. No início, pode-se ignorar parcialmente alguns valores, em nome do crescimento e da sobrevivência, entretanto, quando estiver no topo, será praticamente impossível fazê-lo. A sociedade vai cobra-lo impiedosamente.

Ser ambicioso é uma virtude admirável, entretanto, quando a ambição passa por sonegar impostos, atropelar os direitos do empregado, colocar em risco a vida das pessoas e puxar o tapete do próprio sócio que lhe estendeu a mão, transforma-se numa obsessão doentia.

Ganhar dinheiro é bom e necessário, mas a vida não se resume a isso. Empreender com ética é um caminho difícil, porém recompensador. Não há nada que supere o prazer de se fazer por si mesmo quando todos imaginavam que isso não ia dar em nada.

Ética é assim: ou você tem ou não tem. Não dá para ser meio ético e, algum dia, esperar que a chave mude automaticamente. Deitar a cabeça no travesseiro com a sensação do dever cumprido, desprovido de culpas e mágoas, não é para homens comuns.

Pense nisso, empreenda mais e melhor!

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