Líderes devem aprender a aprender

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Timothy Gallwey é considerado o “pai do coaching” e é um dos criadores do The Inner Game (ou O Jogo Interior)

por Lucas Toyama

Para ensinar, os líderes devem aprender a aprender. Timothy Gallwey, ou Tim Gallwey, considerado o “pai do coaching” e um dos palestrantes mais requisitados no mundo quando o assunto é liderança organizacional, sai em defesa dessa postura por acreditar que apenas alguém com a consciência de que pouco sabe pode, de fato, transmitir conhecimento. Como treinador de tênis na década de 70, ele foi um dos pioneiros no uso da psicologia aplicada ao esporte e ao mundo corporativo. Ao traçar paralelos entre atletas e executivos, dado o foco em performance e em resultados em ambos os universos, Gallwey foi descobrindo que se conhecer, entender as próprias dificuldades e potencialidades é um atalho para uma trajetória profissional vitoriosa. Eis o elemento central do The Inner Game (ou O Jogo Interior), método criado por ele para desenvolver habilidades de liderança em executivos, cuja base se apoia em três pontos: ajudar pessoas a aprender a aprender e a pensar por si próprias; ajudar gestores e executivos a aprender a treinar; e ajudar lideranças a aprenderem a criar organizações de aprendizagem.

Durante recente passagem pelo Brasil para divulgar os programas do The Inner Game International School of Coaching, Gallwey falou com exclusividade ao CanalRh. Confira a entrevista.

CanalRh: Quais são as semelhanças entre o mundo dos esportes e o dos negócios?

Tim Gallwey: O foco em performance e resultados é uma das similaridades. Outro ponto importante é que nos negócios e nos esportes existe uma expertise a ser desenvolvida, seja de um atleta ou de um gestor. Hoje, com a forte profissionalização nos esportes, essa área é praticamente um business que envolve uma estrutura complexa de gerenciamento.

CanalRh: Como as performances de atletas e de executivos podem ser comparadas?

Gallwey: Executivos são atletas de gravata, existe muita cobrança, estresse para obter os melhores resultados. Por isso, o preparo para atuar é muito importante. Não importa se você está entrando em uma quadra ou em uma sala de reuniões: a forma de operarmos é a mesma, pois se trata de seres humanos. Dentro de nós existe um jogo que é travado por duas figuras. O Self 1 é o que chamo de nosso lado crítico – aquele que geralmente coloca à nossa frente obstáculos, crenças e medos infundados. O Self 2 é o nosso eu verdadeiro, aquele que pode nos levar a uma vitória ou a um resultado incrível nos negócios. Esse jogo é cotidiano, acontece sempre, e, se entendermos como ele funciona, tudo ocorre de modo mais simples.

CanalRh: O que uma pessoa precisa fazer para aprender a aprender?

Gallwey: Primeiro é entender como ela mesma funciona, ou seja, como esse jogo interior (Self 1 x Self 2) se dá dentro dela. Ela precisa também ter consciência que todos os outros à sua volta já possuem suas próprias respostas – eles são capazes de se desenvolverem por si só bastando para isso alguma ajuda (coaching) de alguém que faça boas perguntas e reflexões.

CanalRh: A elevada disponibilidade de informação existente hoje permite que esse aprendizado seja realizado mais facilmente sozinho?

Gallwey: Sim, mas para que dê certo é preciso que as pessoas saibam como filtrar isso. Muita informação pode atrapalhar a nossa capacidade de escolhas de qualidade. O autoaprendizado pode, sim, se dar a qualquer momento, desde que a pessoa saiba fazer escolhas adequadas.

CanalRh: O que uma pessoa deve fazer para aprender a ensinar?

Gallwey: É fundamental que ela entenda que coaching é uma forma diferente de aprendizado. O coach não tem todas as respostas. Ele deve ter a capacidade de criar um ambiente seguro, sem julgamentos, e que permita muitas reflexões. Ele não precisa dar respostas, mas instigar seus clientes a entenderem quais podem ser suas escolhas. É importante ressaltar que a decisão sempre é da outra pessoa, não do coach.

CanalRh: Qual o papel das lideranças numa organização que preza pelo aprendizado de seus colaboradores?

Gallwey: É assimilar o conceito de aprender a aprender e não somente o de ensinar. Gurus e consultores devem ter sempre as respostas, pois são bem pagos para isso. Líderes devem agir de outra forma, entendo o ambiente de gestão de um modo muito mais amplo e com visão global, ou seja, encarando cada liderado como uma oportunidade de crescimento e aprendizado, não focado somente em resultados, mas em todo o processo.

CanalRh: E quem consegue fazer isso e se tornar um bom líder?

Gallwey: Existem muitas variáveis e isso depende da natureza do negócio. No entanto, eu posso responder que um bom líder apresenta algumas características. Ele não prejulga os outros; cria um ambiente seguro para que a liderança possa ser exercida; coloca-se na posição dos outros e tenta usar um pouco os sapatos dos liderados; tem o hábito de ouvir de modo qualificado e dá feedback efetivo.

CanalRh: É possível fazer tudo isso na prática?

Gallwey: A pressão por resultados a qualquer custo e o estresse gerado por isso são um problema. O desbalanceamento entre vida pessoal e profissional pode ser outro fator preocupante e dificultador para as lideranças. (Origem: https://www.facebook.com/CoachTerezaJeanne )

Fonte: www.canalrh.com.br/Mundos/entrevistas

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Aprender com quem já chegou lá é o caminho mais curto para o sucesso…

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