No País das Franquias

Adotar um modelo de negócio já testado e aprovado tem seduzido milhões de brasileiros. Mas não é tão simples assim se dar bem em um mercado que vem crescendo em números e marcas. Saiba como escolher e administrar a franquia perfeita para você.

Editora Globo

O estudante carioca Ricardo Schaefer, 22 anos, sempre se identificou com o estilo de vida de empreendedor, mas não sabia por onde começar. Em 2009, no terceiro ano da faculdade de Administração de Empresas, ele estagiava na Gerdau e resolveu visitar uma feira de franquias. Lá, acabou se interessando pela rede de fast-food Subway. “O modelo de negócio e o valor do investimento inicial eram exatamente o que eu estava procurando”, diz. Schaefer tinha 19 anos e, para abrir uma unidade no Rio, somou as economias pessoais a um crédito bancário, num investimento de R$ 250 mil. Um ano depois, já com boa parte desse total recuperado, ele partiu para a segunda loja, também na capital carioca. Hoje, o faturamento de ambas cresce, em média, 26% ao ano. “Foi um investimento excepcionalmente rentável”, afirma.

Schaefer encontrou na franquia o formato ideal para uma decolagem suave e segura na carreira de empreendedor. Por definição, franquias são negócios de menor risco, simplesmente porque não se começa do zero. De cara, já existe uma marca consolidada com público cativo, fórmulas testadas e know-how desenvolvido. O empreendedor recebe ainda treinamento de mão de obra e apoio do franqueador, que tem todo o interesse em cooperar para seu sucesso. Em troca, além do investimento para montar o negócio, paga com dedicação e taxas mensais, como as de royalties e de publicidade.

O setor vive um momento de grande expansão no país. Desde que Schaefer se tornou franqueado da Subway, em 2009, o crescimento desse mercado foi de 35%, segundo estimativa da ABF (Associação Brasileira de Franchising). Só no ano passado, o salto chegou a 16%. “As cifras de dois dígitos vêm se mantendo há dez anos, e isso criou um círculo virtuoso no Brasil”, diz Cristina Franco, presidente da ABF.

Enquanto a maioria dos mercados tem de se adaptar à desaceleração da economia brasileira, as franquias continuam prósperas. A ABF projeta um crescimento de 15% para este ano, apenas um ponto percen¬tual abaixo do desempenho do ano passado, quando o faturamento do setor foi de R$ 104 bilhões. Espera-se que surjam 11 mil novas unidades. A variedade de redes também aumenta. Em 2012, 162 marcas estrea¬ram no mercado brasileiro, levando o total do país a 2.213.

As franquias mais antigas também têm se expandido com fôlego. Entre as que abriram maior número de unidades no último levantamento da ABF, relativo a 2011, estão nomes como O Boticário, Cacau Show e Água de Cheiro, além de um caso de crescimento exponencial, o da microfranquia de serviços de reparo Doutor Resolve — fundada em 2010, a rede deu um salto de 47 para 395 unidades no primeiro ano. “Ainda há muito espaço a preencher. Basta observar a participação das franquias na economia de outros países, como a Coreia do Sul e os Estados Unidos, muito maior do que no Brasil”, afirma Adir Ribeiro, sócio-diretor da consultoria de negócios Praxis Education. Enquanto na Coreia existe uma franquia para cada 20 mil habitantes, no Brasil a relação é de uma para 94 mil.

Investidores e marcas estrangeiras também vêm engordando o filão das franquias — um fenômeno relativamente novo e diretamente relacionado às turbulências na economia dos países ricos. Assim, o setor atrai mão de obra qualificada, de fora, que se tornou mais disponível por causa dos processos de demissões e das fusões e aquisições de empresas. Segundo levantamento feito pela ABF em junho do ano passado, havia 106 redes internacionais em atividade no Brasil e dezenas de outras buscando assessoria para se firmar por aqui. A tendência oposta, rumo ao exterior, também é forte: 110 redes brasileiras estão em operação em 54 países estrangeiros.

Independentemente do cenário de desaceleração, o mercado de franquias demonstra uma notável solidez, reforçada por mudanças estruturais da economia, como a forte queda de juros, que tem transferido investimentos para o setor produtivo — uma das causas da proliferação acelerada de unidades franqueadas. “Quando as vacas estão gordas, há mais dinheiro no mercado e o franchising prospera; quando estão magras, as franquias se destacam como opção mais segura para empreendedores e investidores”, afirma Ana Vecchi, sócia da consultoria Vecchi Ancona. A segurança se expressa em números: enquanto 5% das franquias fecham antes de completar três anos, no mesmo período o índice de mortalidade das demais pequenas e médias empresas é de 46%, segundo o Sebrae-SP.

Fonte: revistapegn.globo.com

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