O Milagre dos Andes (23 de dezembro de 1972)

Hoje completam 40 anos do salvamento do time de Rugby que sofreu um acidente na Cordilheira dos Andes.

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O voo fretado que transportava a equipe de Rugby Old Christians Club de Montevidéu, Uruguai, para jogar uma partida em Santiago, Chile, caiu na Cordilheira dos Andes em 13 de outubro de 1972, uma sexta-feira. Mais de um quarto dos passageiros morreram no acidente e vários sucumbiram rapidamente devido ao frio e aos ferimentos. Dos 29 que estavam vivos alguns dias após o acidente, oito foram mortos por uma avalanche que varreu o seu abrigo. 

O local do acidente era tão remoto que muitas das montanhas ao redor sequer tinham nome. Os sobreviventes tinham pouca comida e nenhuma fonte de calor, a mais de 3.600 metros (11.800 pés) de altitude. A noite, a temperatura podia chegar a 40 graus negativos. Grupos de busca de três países procuraram o avião desaparecido. No entanto, uma vez que o avião era branco, ele se misturou com a neve, tornando-se praticamente invisível do céu.

Com o passar dos dias, diante da fome e com notícias reportadas via rádio de que a busca por eles tinha sido abandonada, o grupo coletivamente tomou a decisão de comer a carne dos corpos de seus companheiros mortos preservados na neve, começando pelo piloto. Dois dos sobreviventes eram estudantes de medicina e tomaram a frente dessa iniciativa e, com os conhecimentos que tinham, tentaram prover a todos com os nutrientes mínimos.Esta decisão se tornou ainda mais difícil por a maioria dos mortos serem amigos próximos.

As equipes de resgate não tiveram conhecimento da existência de sobreviventes até 72 dias depois do acidente quando os passageiros Fernando Parrado e Roberto Canessa, depois de uma caminhada de 10 dias através dos Andes, encontraram um chileno que lhes deu comida e alertou as autoridades sobre a existência dos outros sobreviventes.

De 45 passageiros, apenas 16 sobreviveram e foram levados para hospitais em Santiago e tratados para a doença de altura, desidratação, geladuras, ossos quebrados, escorbuto e desnutrição.

Após o resgate, autoridades do governo uruguaio aconselharam os jovens a não contar como tinham sobrevivido, “que a verdade, se pública, os assombraria para sempre”. Na época, Nando Parrado e Roberto Canessa, os expedicionários que conseguiram atravessar os Andes e pedir socorro a um montanhista, se negaram a esconder os fatos. 

De acordo com um dos sobreviventes, quando souberam que as buscas haviam sido suspensas: 
“As pessoas, ao ouvirem a notícia, começaram a chorar e orar, todas exceto Parrado, que olhou calmamente para as montanhas a oeste. 
Gustavo Nicolich saiu do avião e, vendo seus rostos, sabia o que tinham ouvido…
Nicolich passou pelo buraco na parede de malas e camisas de rugby, agachando na boca do túnel escuro e olhou para os rostos tristes que estavam voltados para ele. 
‘Ei meninos’, ele gritou: há boas notícias! Acabamos de ouvir no rádio. Eles cancelaram as buscas.’ 
Dentro do avião lotado reinou o silêncio. Como a situação de desespero nos envolveu, todos choraram. 
“Por que diabos é uma boa notícia?” Paez gritou com raiva. 
‘Porque isso significa’, Nicolich disse, ‘que vamos sair daqui por conta própria’. 


Fonte: Livro A Sociedade da Neve.

 

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