Aécio e Campos iniciam disputa presidencial

Campos faz campanha por José Donizete em Campinas. (Foto: AE)O xadrez presidencial já começou com dois anos de antecedência. Os analistas políticos ouvidos pela reportagem do Yahoo! são unânimes em apontar que os movimentos do governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, e do senador e ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), nas eleições municipais deste ano podem influenciar diretamente o pleito de 2014. E não se espante se na chapa adversária à da presidenta Dilma Rousseff (PT) estiverem Aécio e Campos unidos pelo pragmatismo eleitoral.

O Partido Socialista Brasileiro é a sigla que mais cresce no país. A legenda que mais conquistou espaço entre os integrantes da coligação que elegeu Dilma em 2010, o PSB aparece novamente em 2012 como o grande vencedor. Se dois anos atrás a revista “Veja” apelidou o líder Eduardo Campos, reeleito governador com mais de 80% dos votos, de “neocoronel” – a face do Nordeste moderno -, neste ano, a semanal “CartaCapital” chamou a ascenção do PSB de “cometa socialista”.

E não é apenas no Brasil profundo que o PSB ostenta maior capilaridade. Nas regiões metropolitanas do país – onde estão 30% da população e 40% do PIB – os socialistas cresceram 141% em relação a 2008. A sigla, inclusive, bateu o aliado PT em duas das principais capitais do país, Recife e Belo Horizonte, sendo essa última uma grande derrota para o ex-presidente Lula, que considerava a capital mineira, ao lado de São Paulo, a prioridade do partido nessas eleições municipais.

À pedido de Campos, Aécio foi à Campinas fazer campanha por Donizete. (Foto: AE)“

O xadrez de 2014 começou a ser jogado. O governo federal já deve preparar uma resposta. Mas ambos, Aécio e Campos, ainda têm que enfrentar muita coisa para tornar eventuais candidaturas viáveis”, afirma o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Fernando Filgueiras. “Aécio precisa enfrentar a própria base do PSDB, que o vê com muita desconfiança fora de Minas Gerais. Eduardo Campos ainda precisa ganhar visibilidade junto ao eleitorado nacional. Mas ambos têm potencial para tanto. E já estão se movimentando nesse sentido.”

O cientista político pernambucano Michel Zaidan Filho lembra que a aproximação entre Aécio e Campos – que neste ano se uniram em cidades como Belo Horizonte, Campinas e Manaus contra candidatos apoiados por Lula – não é recente. “No início de seu primeiro mandato em Pernambuco, Eduardo chamou um dos principais assessores de Aécio, um empresário de uma ONG que assessora governos, para fazer um choque de gestão no Estado”, conta o professor da Universidade Ferderal de Pernambuco (UFPE).

“Se formos nos perguntar de qual estilo Eduardo é mais próximo, se o de seu avô, Miguel Arraes, de quem herdou o capital político e a presidência do PSB, ou de Aécio, o seu governo deixa claro: do tucano”, afirma Zaidan. “Arraes era mais fiel aos seus princípios, já Eduardo é muito pragmático. Campos é, inclusive, muito proximo de Sérgio Guerra, presidente do PSDB, que foi assessor de seu avô. Aqui em Recife as relações de PSDB e PSB não são tão belicosas.”

Pelo pragmatismo escancarado na atuação e no discurso de Campos, tanto Filgueiras como Zaidan não descartam uma aliança entre o tucano e o socialista já para 2014. “A movimentação do PSB incomodou muito o PT e a proximidade com o PSDB em Minas criou uma cisão na aliança duradoura [entre os três partidos] em Belo Horizonte. A aliança em Campinas não é ocasional. A possibilidade de uma aliança nacional é grande e pode representar diversas movimentações dentro da base do governo”, afirma o professor da UFMG. “Eduardo faz aliança até com o diabo, se preciso”, completa Zaidan.

Os analistas também concordam que o PT terá que ceder para não ver a sua base ruir. Além da aproximação com Aécio, Campos tem flertado com o PCdoB e com o PDT nessas eleições municipais. O governador ainda mantém boas relações com o PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e com o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB).

“Eduardo adquiriu um capital político muito grande para ficar de fora da próxima eleição presidencial. O PT terá que ceder em algum ponto, mas o PMDB não vai largar o osso. Eu não descarto a formação de uma chapa com Aécio na cabeça e Eduardo como vice para se tornar mais conhecido nacionalmente”, diz o professor da UFPE.

Contudo, o maior perigo para Dilma em 2014, apontam os cientistas políticos, não é político, mas econômico. Caso os efeitos da crise internacional – que abala o mundo desde 2008 e parece não ter data para ceder – aumentem no Brasil até 2014, a presidenta estará mais vulnerável para tentar a reeleição.

“O governo federal terá que tocar, mais cedo ou mais tarde, na repactuação do federalismo, tendo em vista os problemas que a desoneração tributária já está trazendo aos estados e municípios, além do efeito da crise internacional”, afirma Filgueiras. “As contas dos estados e dos municípios estão na beira do colapso e as receitas com os fundos de participação dos estados e municípios baixaram, comprometendo a capacidade deles realizarem projetos e obras relevantes. Tanto Aécio quanto Eduardo Campos estão tentando capilarizar esse apoio junto às esferas locais, visando a uma possível aliança para 2014.”

Zaidan segue a mesma linha de raciocínio. “A redução do IPI e da conta de luz mexe no bolso dos municípios e dos estados. A Dilma está acenando com um dinheiro que não é dela e isso uma hora pode estourar. Caso a crise piore até 2014, estará criada a situação para que a base aliada se dissolva e o Eduardo Campo se candidate à Presidência.”

Yahoo! Notícias

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